Instruções: o que a IA lê, e por que às vezes não chega

Você escreve instrução em cinco lugares diferentes, e cada um faz um trabalho que os outros não fazem. Quando o agente responde errado, quase sempre o texto está certo — só está no lugar errado, ou nem chegou até ele. Este tutorial mostra onde cada instrução age, o limite que existe e como descobrir, em cada resposta, o que a IA leu antes de decidir.

Os cinco lugares, e o que cada um decide

Onde você escreveO que ele decide
Instruções do agentequem ele é, o tom, o que ele nunca faz
Instruções da açãose a IA vai ENCONTRAR aquela consulta
Instruções da APIcomo interpretar o que voltou e como falar do resultado
Instruções para a IA de um conteúdo (Conhecimento e Central)como usar AQUELE documento — viaja colada ao trecho quando ele é recuperado, e o cliente nunca a vê
Instruções de IA da organização (Configurações)as regras de conduta que valem para todos os seus agentes

A instrução do conteúdo tem um detalhe próprio: ela não entra na busca do conhecimento (não ajuda o documento a ser achado, nem atrapalha) — ela chega junto quando o documento já foi escolhido, orientando o uso ("não cite o nome deste material", "isto só vale para quem já é cliente").

A linha do meio é a que mais surpreende. Vale insistir nela.

Achar a consulta e usar a consulta são coisas diferentes

Quando o seu catálogo cresce, a IA não recebe todas as consultas de uma vez — ela busca a que precisa. E essa busca olha só três campos da ação:

  • o nome da ação, que pesa mais;
  • a chave;
  • as instruções.

As instruções da API não entram nessa busca. Por mais bem escritas que estejam, elas não ajudam a IA a encontrar a consulta certa: elas ensinam a usar o que já foi encontrado.

O erro mais comum, com um exemplo real

Uma empresa com muitas integrações perguntou ao agente: "resumo do faturamento deste mês". A busca voltou oito consultas — e nenhuma delas era a de faturamento. Vieram relatórios de orçamentos, de comissão de vendedores, de notas ao consumidor.

O motivo: dezenas de ações daquele catálogo começavam com a palavra "relatório". Buscar por "relatório" ali é como procurar "arquivo" numa pasta onde tudo se chama arquivo — não distingue nada. A palavra que distinguiria era faturamento, e ela só existia nas instruções, que é o campo de menor peso.

O conserto não foi escrever mais instrução. Foi pôr a palavra certa no campo que pesa: quem responde faturamento precisa ter "faturamento" no nome da ação.

Regra de bolso: pense na palavra que o seu cliente usaria na pergunta. Se ela não estiver no nome da ação, a IA pode não achar a consulta — mesmo que a instrução da API explique tudo.

O limite das instruções da API

Cada API tem um teto de 5.000 caracteres de instrução — o mesmo teto vale para as instruções de cada ação. O limite existe por uma razão: essas instruções vão para a IA em toda mensagem, e uma conta com dez integrações somaria um texto enorme em cada resposta, deixando o atendimento mais lento e mais caro.

O teto é do texto inteiro: nenhuma linha é cortada sozinha, então você pode escrever uma regra longa numa linha só sem medo de perder o fim dela. E o campo Instrução para a IA de cada parâmetro cresce conforme você escreve — a instrução inteira fica à vista, sem rolagem lateral.

Ao escrever, o contador aparece quando você se aproxima do limite e fica vermelho se passar. Passou, o sistema não deixa salvar e diz quanto falta cortar. Ao colar um texto grande no Organizar com IA de uma ação, cabe mais do que o teto final: a IA enxuga e devolve o texto já dentro do limite.

Se você já tem texto acima do limite

Isso é importante: o excedente nunca chegou à IA. Ele ficava guardado, aparecia na tela, e era descartado na hora de montar a resposta — sem erro e sem aviso. E o corte é por caractere, então a última regra costumava chegar pela metade.

Vale abrir cada API e conferir. Duas saídas:

  1. Suba o que é mais importante. O corte é do fim para o começo, então o que está nas primeiras linhas sempre chega.
  2. Enxugue. Boa parte do texto costuma ser explicação repetida em várias APIs (formato de valor, formato de data). Uma frase curta ensina igual.

Como ver o que a IA leu antes de responder

Em Inteligência → Agentes → Testar, cada resposta traz o link "Como respondi". Ele abre o caminho daquela resposta em duas partes.

O que ele levou para a conversa — as instruções do agente, as regras gerais, a data de hoje, o perfil do negócio, as instruções de cada API, quantas consultas entraram na mesa e quais ficaram de fora. Cada item tem "Ver o texto que ele leu", com o texto exato que foi para a IA.

O que ele fez — cada consulta chamada, com os parâmetros, o tempo e um trecho do que o sistema respondeu. É aqui que aparece o caso clássico: a consulta que devolveu sucesso com uma mensagem de erro dentro. Para o sistema foi sucesso; para o cliente foi uma resposta sem número nenhum.

No topo, pontos de atenção reúnem o que mais provavelmente explica uma resposta ruim: instrução cortada no limite, consulta que ficou de fora por falta da credencial de quem está falando, busca no conteúdo que não achou nada.

Nada disso fica gravado: é uma conversa de teste, não cria atendimento e some quando você fecha.

Um roteiro para quando a resposta sai errada

  1. Abra "Como respondi" naquela resposta.
  2. Veja o que ele fez. Chamou a consulta certa?
    Chamou e o dado veio errado → o conserto é na instrução da API (vocabulário, o que não pode ser somado, como apresentar).
    Chamou a consulta errada → o conserto é no nome e nas instruções daquela ação e da que deveria ter sido chamada.
    Não chamou nada → abra o que ele levou: a consulta estava na mesa? Se ficou de fora por credencial, o caminho é a identificação do visitante.
  3. Veja os pontos de atenção: eles costumam apontar direto para o campo que resolve.
  4. Ajuste, volte ao Testar e pergunte de novo. Cada linha do painel tem um link para o lugar exato da edição.

O que evitar

  • Escrever na API o que deveria estar no nome da ação. A instrução não ajuda a encontrar.
  • Repetir a mesma regra em várias APIs. O que vale para o negócio inteiro cabe nas instruções do agente, e é lido em toda conversa.
  • Explicar demais. Frase curta e direta funciona melhor do que parágrafo, e ocupa menos do seu limite.
  • Concluir pela resposta. O texto que o cliente recebeu não diz o que a IA leu. O "Como respondi" diz.

Veja também

Os tutoriais APIs: conecte a IA aos seus sistemas, Agentes de IA e Fontes de conhecimento completam o assunto: o primeiro cobre o cadastro e as credenciais, o segundo as instruções e as filas de transferência, e o terceiro o conteúdo que responde as dúvidas gerais.